Lendo minhas últimas postagens, vejo que serei repetitiva nesta. Mas não tenho outra saída. Preciso falar mais uma vez sobre esse assunto. Ontem, uma pessoa me disse que outra não acreditava que eu tenha tido depressão. Na hora, eu só ouvi, não falei nada. E depois fiquei pensando... Não culpo essa pessoa. Pelo contrário, acho até que concordo com ela. Eu também não acredito que eu tenha tido depressão. Não tenho o estereótipo de pessoa depressiva. Por mais que eu tenha tido vontade, nunca fiquei trancada num quarto escuro. Apesar do choro fácil muitas vezes, não tive crises de choro na frente de ninguém, a não ser do psiquiatra e da psicoterapeuta - mas a culpa foi deles! Eles me confrontaram e eu tive que falar sobre coisas que eu estava sentindo, sobre dificuldades... Não fosse isso, teria ficado ótima! Também não deixei de sair, de me "socializar", por mais difícil que tenha sido e por mais energia que isso tenha exigido de mim - e, mesmo hoje, ainda exige.
Eu aprendi com isso que somos todos preconceituosos. Julgamos os outros o tempo todo. Decidimos, por conta própria, como é a doença e o problema do outro; e também como não é. Assim, esperamos que a pessoa com depressão seja triste, que nunca possa sorrir ou se divertir, que viva isolada. E, se ela não está vivendo assim, é lógico que não tem depressão, é óbvio que está inventando uma doença para si ou que está querendo chamar atenção ou, sei lá, que está se aproveitando da situação. "A depressão é conveniente", pensamos - ou melhor, decretamos.
A verdade é que nem todos reagirão assim. Apesar de o comportamento humano se repetir, as pessoas são diferentes. Algumas ficarão tristes e todos verão e saberão. Outras também ficarão tristes, mas quase ninguém perceberá a tristeza por trás do sorriso. Outras ainda ficarão tristes por conveniência mesmo. Vai saber?...
E assim seguimos. Cada um a seu modo. Só peço uma coisa: que eu me livre dos meus preconceitos e dos meus pré-julgamentos, que eu consiga perceber a dor e a dificuldade do meu próximo, sem pensar que ele poderia agir diferente, só tendo sabedoria para aprender alguma coisa com tudo isso e, como dizem, ser um "serumaninho" melhor. Para honra e glória do meu Deus!
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