Vinicius gostava de ficar gripado. Não me lembro mais onde li sobre isso, se numa revista ou num livro, mas o fato é que o nosso poetinha gostava do vírus da gripe. Dá pra imaginar? Ele apreciava a sensação de torpor que a gripe nos dá, aquela moleza no corpo, a vontade de ficar deitado, o formigamento do nariz.
Estou muito gripada e lembrei-me disso agora. Por que será que o Vinicius gostava tanto dessas sensações?
Pensando sobre isso, comecei também a gostar da ideia. Primeiro, porque acho que estava mesmo precisando de um descanso forçado, sem condições de fazer nada, nenhuma pendência. Nada de arrumar guarda-roupa. Nada de catar brinquedos espalhados pela casa. Só ficar deitada, tomando um chazinho quente, assistindo TV, o edredom fofinho.
E, de repente, todo esse ócio me fez pensar num monte de texto que gostaria de escrever. As ideias começaram a borbulhar na minha cabeça. Corri, peguei papel e caneta, e comecei a esboçar alguns deles, apenas para que não me fugissem da mente.
Ficar gripada se tornou produtivo. Gripada em Itapuã. Acho que não seria tão mal. Talvez a brisa do mar melhorasse um pouco meu estado. Água de coco pra hidratar.
A gripe, afinal, se parece com o estágio inicial da embriaguez. A cabeça pe sada, de novo o formigamento do nariz e a sensação de torpor. E Vinicius passava suas tardes de gripe na banheira, com seu companheiro inseparável, o copo de whisky.
Eu fico aqui, curtindo a minha gripezinha e a minha xícara de chá. Alguém 'tá servido?

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