domingo, 6 de dezembro de 2009

Aquele amplexo!


"Última flor do Lácio, inculta e bela" é o primeiro verso do poema "Língua Portuguesa", de Olavo Bilac. Essa expressão ficou famosa e é muito usada para designar o nosso idioma: a última flor é a língua portuguesa, considerada a última das filhas do latim, cujo berço seria a região do Lácio, na Itália, conhecida por ser o centro administrativo do Império Romano. O termo inculta fica por conta de todos aqueles que a maltratam - falando e escrevendo errado -, mas ela, ainda assim, continua a ser bela.

Eu gosto da nossa língua portuguesa. É uma coisa meio óbvia, já que gosto tanto de escrever. Gosto muito também de ler. Infelizmente, são duas coisas que não tenho feito muito ultimamente. Muito mais pela falta de tempo do que propriamente de vontade... Mas eu não gosto muito de ler coisas rebuscadas demais. Gosto da simplicidade; gosto de um texto bem escrito, mas que seja objetivo, claro; gosto de palavras comuns, conhecidas de todos (ou, pelo menos, de quase todos).

Mas é aqui que a coisa pega. A cada dia o vocabulário das pessoas diminui de forma assustadora. Tudo bem você não usar determinadas palavras no seu dia a dia, mas entender o significado delas, às vezes, é de fundamental importância.

Esses dias, me senti pedante e antiga ao comentar, numa festa, que um amigo era frugal. A pessoa me olhou com aquele olhar intrigado de quem não estava entendendo bulhufas do que eu estava falando. O outro riu e disse: "Nossa, tinha tempo que eu não ouvia essa palavra!" E eu, sem graça, respondi apenas que frugal era uma pessoa que comia pouco, que logo estava satisfeita. Por isso, o tal amigo era magro.

Pra falar a verdade, não acho que frugal esteja assim tão fora de moda. Pelo contrário, se não me engano, a frugalidade vira e mexe é tema dessas revistas femininas, principalmente das que falam de regime e boa forma. Aliás, pela breve pesquisa que fiz após o tal "incidente linguístico", o significado de frugal tem sido estendido para toda a vida, não se limitando apenas à questão gastronômica, mas querendo dizer um modo de vida simples, que se contenta com pouca coisa, uma clara oposição ao consumismo desenfreado da nossa geração.

Mas, voltando ao nosso tema, fico imaginando se eu usasse algumas das palavras que meu pai de vez em quando fala, que até eu paro a conversa pra perguntar o significado. E o pior é que ele também tem um amigo que não entende e rola de rir quando meu pai fala alguma coisa "diferente".

Uma vez, eles estavam em Pirenópolis com um grupo de amigos. O grupo se dividiu e ficou de se encontrar num restaurante da cidade. Acontece que o outro grupo estava demorando. Quando meu pai os avistou, disse: "Ah, finalmente, lá vem um magotinho de velhos!" E o amigo do meu pai entendeu "pacotinho"... Achei injusto meu pai rir dele. Afinal, pelamordedeus, o que quer dizer "magote"? No Aurélio, fala que é "quantidade - grande porção de pessoas ou de coisas, grande número". Meu pai me explicou, um tanto quanto surpreso por eu não saber, que é um termo muito usado na roça para se referir ao gado ("ele tem um magote de gado"). Muito prazer!

É... a língua portuguesa é mesmo inculta e desconhecida, mas ainda assim muito bela!
E pra terminar usando uma das palavras do meu pai, aquele amplexo pra vocês e boa semana!!

2 comentários:

Liza Ziller disse...

Olá Eleonora! Acabei de ver seu post... Então, não encontrei nada sobre scrap em BsAs e nem na net sobre scrap lá... Mas, também, não tive muito tempo de procurar... Boa sorte, viu!? Beijos, Liza.

Bailarina disse...

Qto tempo não vinha por aqui. Se o Dr. Edesio andasse com o Sr. Brasil iam rolar muito mais que amplexos! Velhos e bons tempos os deles, não? Bjs