quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ser magra

Conquistamos, ao longo dos tempos, independência e espaço. Esbravejamos aos quatro cantos do mundo que não nos importamos com a opinião alheia. E somos, sempre, contra todos os estereótipos que a "sociedade" quer nos impor. Mas o fato é um só: o nosso desejo trai nosso discurso, mostrando-se muito mais "tradicional" do que gostaríamos.

Eu queria ser cool, despojada, sem apego a essas idiotices de ser magra e sarada, estar sempre bem vestida, calçando uma sandália de salto alto e com o cabelo impecavelmente escovado. Queria poder trabalhar usando uma calça de moletom, uma blusinha de malha e tênis.

Infelizmente, nesse caso, querer não é poder e acabamos nos rendendo à "adequação social" que impõe que simplesmente não podemos andar por aí assim (a não ser, talvez, que estejamos de férias na fazenda...). Eu até procuro adaptar o estilo da calça de moletom usando uma calça jeans, blusa e sapatilha, em vez de sapato ou sandália de salto alto. Foi o único jeito que encontrei de estar mais perto do meu ideal de conforto ao me vestir - e ao mesmo tempo é o meu protesto particular contra o salto alto no dia-a-dia.


Mas... e quanto a ser magra?...

Não tem jeito. Por mais que estejamos saturadas da falsa imagem de perfeição feminina que as revistas e a televisão promovem, e fiquemos aliviadas com aparições de mulheres famosas gordinhas e artigos como o da "Mulher da Página 194", da Martha Medeiros, acabamos como a Maitena e consideramos que ser magra é uma das coisas essenciais da vida.

Até achamos bom (e importante) ver que a Ivete Sangalo não teve um pós-parto sarado, dedicando sua atenção ao filho recém-nascido e não unicamente a ter sua boa forma de volta, como a maioria das famosas faz. Mas, depois de alguns meses, é inevitável: todo mundo começa a pensar que já está na hora de ela fazer um regiminho...


Por tudo isso, me rendi à opinião pública e, finalmente, depois de quase 4 anos do nascimento do André, decidi voltar ao meu peso ideal (hoje): 52 kg. Não é magérrima como já fui um dia, com 47 kg, mas é magra o bastante pra me deixar feliz. E, para me conformar à insatisfação social coletiva, melhor que isso, só não ter celulite e acabar com a flacidez!

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