terça-feira, 27 de outubro de 2015

Falar, falar e falar

Uma das boas coisas que tenho aprendido fazendo terapia é falar sobre o que estou sentindo. Eu sei, parece estranho isso, logo eu que sou tão comunicativa, não sei falar sobre o que estou sentindo? Sobre o que me incomoda? Pois é. Não sei. Para evitar conflitos, a maioria das vezes eu me calo. Não falo o que quero e fica tudo aqui, guardado dentro de mim. 

Muitas vezes também não falo porque acho que não vai mudar nada. Ou, então, porque não quero dar satisfação da minha vida pra ninguém, ficar justificando o que fiz ou deixei de fazer. Como dizem, para os amigos, isso não é necessário; para os inimigos, eles não vão acreditar mesmo.

No entanto, tenho percebido que muitas vezes quem necessita de explicações sou eu. Apesar desse discurso de que não devo satisfações para ninguém, eu preciso fazer isso, porque só assim estarei falando sobre o que estou sentindo. Não é simplesmente dar satisfação, é tirar um peso de mim mesma. Quando não falo, sofro ao imaginar o que o outro está pensando. Quando não falo, fecho uma porta para que o outro também não fale. E aí surgem os conflitos invisíveis. A tensão fica no ar.

No último post, escrevi que estava me incomodando o silêncio de algumas pessoas quando comuniquei meu afastamento do trabalho. E fantasiei mil coisas sobre o que esse silêncio poderia significar. Meus amigos disseram que eu não me importasse, mas eu não consegui seguir o conselho deles e o que eu mesma tentava me convencer. Lá dentro, o silêncio doía em mim. 

A minha psicóloga sugeriu, então, que eu conversasse com as pessoas, perguntasse se elas tinham visto meu comunicado e falasse sobre o que eu estava passando, ainda que superficialmente, sem entrar em muitos detalhes. Não por causa das pessoas, mas por minha causa, pra tirar de mim esse sofrimento de imaginar o que elas estariam pensando.

Não adianta. Vivemos em sociedade. O nosso discurso de que não nos importamos com que os outros pensam nos trai o tempo todo. Nos importamos sim. Não devemos nos importar demais, é certo. E também não devemos mudar nossa vida por causa disso. Mas queremos, ao menos, deixar as coisas claras.

E foi o que fiz. Liguei para quem importava e falei, falei e falei. E senti que, do lado de lá, era o que também estava sendo necessário. Me senti bem. Aliviada. Um peso enorme se foi. Meu lado Pollyanna estava certo... Eu estava sofrendo à toa. ;)

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