sábado, 17 de outubro de 2015

Controlando a minha maluquez


Poucas pessoas acessam meu blog. Apesar disso, ele está aí, disponível para uma infinidade de gente, que pode ler todas as minhas dúvidas, certezas, inseguranças, alegrias e loucuras!... Isso poderia ser perigoso. Mas não me preocupo... Mais perigoso é não escrever e guardar tudo que sinto aqui dentro. Escrever tem sido uma verdadeira catarse nesses últimos tempos.

Como já falei por aqui, eu tenho depressão. E já faz três meses que estou afastada do trabalho por causa dela. Essa semana fui ao médico e ele ainda manteve meu afastamento por mais um mês. Em todo esse tempo, a sensação que tenho é que minha vida está suspensa. Parece que estou vivendo um hiato. O que eu fiz nesse tempo? A vida simplesmente passou e eu não sei responder. Meus filhos fizeram aniversário, eu completei 14 anos de casada, minha mãe fez 70 anos, meu irmão mais novo se casou. Muita coisa aconteceu e eu estava presente em todas elas. Mas era um "presente" pela metade. Eu não estava inteira... E isso dói.

Dói também não trabalhar. Isso pode parecer mais uma loucura. Afinal, a aposentadoria é um dos meus maiores anseios. Mas, ainda que seja parte de um sonho, o que dói mesmo é não poder trabalhar, não estar inteira para isso também. 

Dói também pensar na indiferença, no desprezo - ou será raiva? - que algumas pessoas sentem - ou parecem sentir - em relação a isso. Eu comunico meu afastamento e não obtenho resposta. Será que pensam ser frescura? Folga? Ou que eu estou me aproveitando da situação? Que subornei o médico para ter uma licença remunerada? 

Ao mesmo tempo que sei que não devo me incomodar com o que as pessoas pensam ou deixam de pensar, não consigo simplesmente ignorar, deixar pra lá. Me incomoda. Me incomoda muito. Tanto tempo de trabalho e ninguém me conhece? Todas as responsabilidades cumpridas, muitas vezes além das minhas responsabilidades, foram por água abaixo?

Talvez as pessoas saibam que meus filhos fizeram aniversário, que eu completei 14 anos de casada, que minha mãe fez 70 anos, que meu irmão mais novo se casou e que eu estava presente em todas essas ocasiões, e não trancada num quarto escuro. Ninguém entende uma dor que não tem razão. Muito menos que essa dor pode conviver por aí, tentando deixar de ser dor.

Mas talvez também eu esteja sofrendo à toa e a falta de resposta seja apenas falta de educação, de consideração. Talvez as pessoas, assim como eu, também não saibam lidar com essa situação e preferem se calar. Melhor que escrever alguma besteira, ou uma falsidade, ou uma insensibilidade qualquer...

Meu lado Pollyanna prevalece e eu sigo controlando a minha maluquez...

2 comentários:

Ludmila Déroulède disse...

"Eu comunico meu afastamento e não obtenho resposta. Será que pensam ser frescura? Folga?" eu vivia essa indiferença quando saía de licença por depressão. Ninguém se mexeu. Nunca recebi um telefonema, a não ser da Davina e da Goyany. É assim. Essa parte eu aprendi: "aceita que dói menos". Já temos as nossas dores internas, tão nossas, apesar de serem também reflexo do exterior. Eu aceitei, e, acredito, que hoje eu até prefira a solidão durante a depressão do que olhar para pessoas, supostamente solidárias, mas sem empatia ou brilho algum nos olhos.

Ludmila Déroulède disse...

a propósito, estou aqui passeando no seu blog para encontrar um texto para a nossa sessão. Não será um texto de dor. Fica tranquila. rsrs