sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz..."

A cena talvez seja clássica: 10 anos depois da formatura, duas amigas da época da faculdade se encontram. Uma acabou de defender sua brilhante tese de doutorado e está se preparando para o pós-doc na Inglaterra, tem um emprego excelente e é respeitada profissionalmente. A outra se casou logo depois que terminou a faculdade, teve filhos e tem um bom emprego, mas não investiu na carreira profissional.



A primeira se espanta ao ver o rumo que a vida da segunda tomou, logo ela - que era tão dedicada na faculdade - agora só sabe discutir sobre marca de fralda e cor de cocô de neném e tem um emprego mais ou menos. A segunda, por sua vez, também se espanta ao ver o cargo que a outra possui e fica pensando como ela conseguiu tanta coisa, justo ela que só colava na faculdade e ficou de prova em todas as matérias.


E as duas vão embora, uma querendo ocupar o lugar da outra.


Não, não sou eu que ilustro essa passagem. Primeiro, porque fui dedicada nos estudos só até passar no vestibular. Fui apenas uma boa aluna, mas nada de extraordinário, muito menos de primeiros lugares. Segundo, porque acredito que tenho muito mais assunto do que apenas os relativos a criança (por mais que esse, muitas vezes, seja o mais agradável e divertido - no meu ponto de vista). E, por último, porque até hoje nunca quis ocupar o lugar de ninguém. Nunca quis o trabalho de ninguém e muito menos a vida de ninguém. Confesso que talvez o salário... mas, pra falar bem a verdade, nunca quis pagar o preço dos cargos de melhores salários na minha profissão.


Mas é engraçado pensar sobre isso, por que tem tanta gente que quer viver a vida de outros, que nunca está satisfeito com o caminho que escolheu, que sempre tem um ressentimento em razão de alguma coisa que deixou de fazer.


E mais engraçado ainda é quando o outro quer que você viva a vida dele ou que, pelo menos, se ressinta de não estar "tão bem" quanto ele.


Nessa parte, confesso que sou uma das personagens do enredo. Não a protagonista (ainda bem!), mas a antagonista. Quando encontro algum colega, seja da faculdade ou mesmo dos tempos do segundo e primeiro graus (quem sabe até do jardim de infância), e a pessoa me vê casada e mãe de dois filhos, sempre tem uma cara de "nossa, como ela teve filho cedo; não passou num concurso bom antes nem aproveitou a vida como eu estou fazendo". Ah, que grande tolice! Mal sabem eles como eu aproveito minha vida (e, cá entre nós, talvez seja melhor mesmo nem contar, pois não entenderiam).


Viver, minha gente, é optar. E optar implica em renúncias. Pode ser uma filosofia barata, mas é a mais pura verdade. Precisamos aprender a viver nossas opções e conviver com nossas renúncias. Eu vivo - e muito bem! - a minha opção.

2 comentários:

Bailarina disse...

E tenho dito, né?

Broa disse...

minha opção vc já conhece né amiga....tô contigo,cada um na sua,cada um feliz com o caminho q tomou e ponto final...