segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O cotidiano em casa

Uma das coisas que mais me incomodava era compartilhar minha casa com a faxineira. Quer dizer, acho que ainda incomoda, mas estou aprendendo a não me incomodar.

Pra mim, o ideal seria como se fosse a camareira do hotel. Você sai de casa e ela entra sorrateiramente, como um ninja, e deixa tudo limpinho e em ordem. Mas, infelizmente, na nossa casa não dá pra ser assim...

Quando estou em casa, quero ficar à vontade. Quero poder me levantar a hora que eu bem entender sem pensar que tem alguém querendo arrumar meu quarto pra poder fazer o almoço ou para prosseguir na ordem de limpeza da casa. Quero ficar na sala e assistir a um filme sem que esse mesmo alguém fique transitando dos quartos para a área de serviço o tempo todo. E, ainda pior, sem que essa pessoa fique pensando qualquer coisa de mim, se eu vou ou não vou trabalhar, por que estou em casa e coisas do gênero. No hotel, a camareira já pressupõe que você está de férias e deve não pensar nada disso.

A coisa piora quando a faxineira é mal-humorada... Ou seria ainda pior se ela quisesse bater papo comigo a manhã inteira? E eu aqui, querendo ficar na minha? Difícil saber...

Mas, como já disse lá em cima, estou aprendendo a não me incomodar. Eu não devo nada pra ela, a não ser o salário, que pago sempre em dia. E daí que ela quer limpar meu quarto e eu estou lá dormindo? Limpa depois, oras! E daí se ela pensar que eu sou uma madame folgada? Esse é o meu sonho mesmo! E daí se ela é mal-humorada? A vida é mais difícil pra ela, não pra mim.

Não devo satisfação pra ela. É isso que eu tenho que aprender. E viver feliz assim, curtindo a manhã na minha casinha, como se estivesse sozinha, e ainda tendo alguém pra arrumar minhas bagunças e as dos meus filhos, sentindo gratidão por isso. Poderia ser pior, lembra?

De novo, a síndrome de Pollyanna...

Um comentário:

Katharine Silva disse...

Adorei!!!!!!Compartilho desse pensamento!Edai se você for madame????Cada um com seus problemas