domingo, 23 de agosto de 2015

A sala de espera


Como regra, não gostamos de esperar. A vida tem pressa. Ficar sentado esperando não faz parte da nossa vida. Ou, ao menos, não deveria fazer. Mas faz. Então, queremos que a espera seja curta ou recheada de entretenimento. Isso é o mínimo! Para o tempo passar depressa, pois tenho muitas outras coisas para fazer. (Nem que seja nada!...)

Por isso, é importante que a sala de espera seja aprazível. Arquitetos e designers de interiores investem muito nesse ambiente dos consultórios e escritórios. Revistas novas e interessantes, café expresso, petit fours, poltronas confortáveis, às vezes até um fonte d'água fazendo barulhinho de cachoeira pra trazer calma... Ah, já estava me esquecendo do necessário wi-fi, para garantir o maior entretenimento de todos: a internet do celular!

Geralmente, enfrento bem a sala de espera. Quando tem muitos atrativos, até acho ruim o médico ser pontual. Nem dá tempo de tomar um cafezinho ou de atualizar minhas redes sociais. Mas sala de espera do dentista, do ginecologista, do oftalmo, do otorrino e do dermatologista (por mais que você vá fazer um botox) são todas fáceis de enfrentar. E você até acha bom encontrar um conhecido ou mesmo que o paciente ao lado puxe conversa com você. O tempo, de lento, passa a ser rápido, e você nem percebe que a espera foi grande...

Enfrentei esses dias uma sala de espera diferente. A sala de espera do psiquiatra. Já tinha ido lá uma vez. O ambiente era conhecido. Mas da outra vez tinha sido apenas para acompanhar. Confesso que senti certa vergonha alheia, mas a resposta estava na ponta da língua se alguém me fizesse alguma pergunta indiscreta. A "doida" era a outra pessoa, e não eu.

Agora, não. A doida era eu mesma. E a espera foi demorada... Mais de uma hora. E difícil. Como foi difícil! 

Quando cheguei outra pessoa já estava lá. Suspeitei que era o acompanhante do paciente que estava sendo atendido. Ele passou o tempo todo dependurado no celular, entrando e saindo da sala de espera, e acho que nem notou muito a minha presença.

Mas, quando deu uma hora de espera, o paciente seguinte também chegou. Era um senhor com carinha simpática. Sentou-se a duas cadeiras ao meu lado. E foi logo perguntando: "Você está esperando para se consultar com o Dr. Maurício?"

Fiz que sim com a cabeça e tentei dar um sorriso simpático, mas não sei se consegui. O meu sorriso era constrangido. Ao mesmo tempo em que pensava por que aquele senhor estava se consultando com um psiquiatra, também pensava o que ele estaria pensando de mim... ["Será que o marido a deixou?" Na minha ignorância, penso ser este um dos problemas mais recorrentes.] Senti vergonha. Era como se a minha vida estivesse sendo exposta naquela sala de espera. Eu tinha um problema de ordem psiquiátrica e todos ali sabiam: a secretária, o acompanhante e o outro paciente. Não importa se era depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou seja lá mais o que pudesse ser. Era um problema e todos sabiam. 

E foi ali mesmo, na sala de espera, que eu comecei a enfrentar o meu problema como um problema. Foi ali que eu comecei a reconhecer que tinha alguma coisa errada na minha vida e que eu precisava, de fato, procurar um jeito de melhorar... Seria apenas o primeiro passo.

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