Como
regra, não gostamos de esperar. A vida tem pressa. Ficar sentado
esperando não faz parte da nossa vida. Ou, ao menos, não deveria fazer.
Mas faz. Então, queremos que a espera seja curta ou recheada de
entretenimento. Isso é o mínimo! Para o tempo passar depressa, pois
tenho muitas outras coisas para fazer. (Nem que seja nada!...)
Por
isso, é importante que a sala de espera seja aprazível. Arquitetos e
designers de interiores investem muito nesse ambiente dos consultórios e
escritórios. Revistas novas e interessantes, café expresso, petit
fours, poltronas confortáveis, às vezes até um fonte d'água fazendo
barulhinho de cachoeira pra trazer calma... Ah, já estava me esquecendo
do necessário wi-fi, para garantir o maior entretenimento de todos: a
internet do celular!
Geralmente,
enfrento bem a sala de espera. Quando tem muitos atrativos, até acho
ruim o médico ser pontual. Nem dá tempo de tomar um cafezinho ou de
atualizar minhas redes sociais. Mas sala de espera do dentista, do
ginecologista, do oftalmo, do otorrino e do dermatologista (por mais que
você vá fazer um botox) são todas fáceis de enfrentar. E você até acha
bom encontrar um conhecido ou mesmo que o paciente ao lado puxe conversa
com você. O tempo, de lento, passa a ser rápido, e você nem percebe que
a espera foi grande...
Enfrentei
esses dias uma sala de espera diferente. A sala de espera do
psiquiatra. Já tinha ido lá uma vez. O ambiente era conhecido. Mas da
outra vez tinha sido apenas para acompanhar. Confesso que senti certa
vergonha alheia, mas a resposta estava na ponta da língua se alguém me
fizesse alguma pergunta indiscreta. A "doida" era a outra pessoa, e não
eu.
Agora, não. A doida era eu mesma. E a espera foi demorada... Mais de uma hora. E difícil. Como foi difícil!
Quando
cheguei outra pessoa já estava lá. Suspeitei que era o acompanhante do
paciente que estava sendo atendido. Ele passou o tempo todo dependurado
no celular, entrando e saindo da sala de espera, e acho que nem notou
muito a minha presença.
Mas,
quando deu uma hora de espera, o paciente seguinte também chegou. Era
um senhor com carinha simpática. Sentou-se a duas cadeiras ao meu lado. E
foi logo perguntando: "Você está esperando para se consultar com o Dr.
Maurício?"
Fiz
que sim com a cabeça e tentei dar um sorriso simpático, mas não sei se
consegui. O meu sorriso era constrangido. Ao mesmo tempo em que pensava
por que aquele senhor estava se consultando com um psiquiatra, também
pensava o que ele estaria pensando de mim... ["Será que o marido a
deixou?" Na minha ignorância, penso ser este um dos problemas mais
recorrentes.] Senti vergonha. Era como se a minha vida estivesse sendo
exposta naquela sala de espera. Eu tinha um problema de ordem
psiquiátrica e todos ali sabiam: a secretária, o acompanhante e o outro
paciente. Não importa se era depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou
seja lá mais o que pudesse ser. Era um problema e todos sabiam.
E
foi ali mesmo, na sala de espera, que eu comecei a enfrentar o meu
problema como um problema. Foi ali que eu comecei a reconhecer que tinha
alguma coisa errada na minha vida e que eu precisava, de fato, procurar
um jeito de melhorar... Seria apenas o primeiro passo.

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