segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vivendo artisticamente


Nos últimos anos de sua vida, sempre que alguém perguntava ao meu avô como ele estava, ele respondia assim: “Vivendo artisticamente!” As pessoas riam, achavam graça e logo mudavam de assunto. Eu entendia que ele não estava se sentindo lá muito bem, mas só hoje entendo perfeitamente a profundidade da expressão.

Hoje eu sei o que meu avô sentia, pois tenho vivido assim já faz alguns meses... Vivendo artisticamente... Vivendo por atuação... Vivendo de mentirinha... Vivendo pela metade... Ninguém desconfia. Ninguém sabe de nada. “Que artista se está perdendo!”, diria o Lobo Mau. Tal como um emprego, em que cumprimos uma obrigação, assim vou seguindo. Me arrumo, me pinto, me visto, saio de casa, converso, rio... Tudo automático, obrigatório. Sem graça. Sem vida. Ninguém percebe a dor lá no fundo. Ninguém percebe o esforço e o brilhantismo da minha atuação. Às vezes, nem eu mesma...

Talvez seja porque a minha dor não exista de fato, alguém diria. Mas existe uma dor. Eu sei. Eu sinto. Talvez seja fruto do meu cansaço. Ou da minha fraqueza? Da minha preguiça? 

Reconheço e sou grata pelas bênçãos em minha vida. Meu Deus, meu casamento, meus filhos, minha família, meus amigos, meu trabalho. Talvez as coisas pudessem apenas ser menos intensas... Não sei explicar. Só sei que vou seguindo. Quem sabe com um passo de cada vez?

3 comentários:

lili disse...

Adorei! Vivendo artisticamente é bem melhor que vegetando!Posso adotar?

Eleonora disse...

Tá vendo? A Pollyanna que existe dentro de nós sempre acha que ainda poderia ser pior. Com certeza, viver artisticamente é bem melhor que vegetar! ;) Pode adotar a expressão, lógico!

Anônimo disse...

E nesse ritmo louco da vida, quem tá longe nem se dá conta... Mas To por aqui, tá? Sempre! Parte do grupo dos amigos que gosta demais de vc, independente da atuação! E To longe mas sempre alcançável! Força na peruca! Tamo junto!!! 😘😘😘 Alécia!