domingo, 30 de agosto de 2015

Os passos seguintes

Ok. Eu dei o primeiro passo. Reconheci que estou enfrentando um problema na minha vida e que preciso de ajuda para tratá-lo.
Fui ao psiquiatra.
Enfrentei a sala de espera. 
E também estou fazendo terapia. 
De toda forma, não é fácil receber um diagnóstico de depressão.
Tudo bem, eu sei que, no fundo, a gente até desconfia que as coisas não andam lá muito bem. Mas é cansaço, correria, stress, esgotamento físico, tudo, menos depressão.
Depressão não.
Depressão é coisa de gente chata. De gente que não gosta de passear. De gente que não gosta de conversar. De gente mal-humorada, triste.
Eu, não. Eu sou uma pessoa alegre, falante, extrovertida. Gosto de sair, de encontrar pessoas, de viajar. E não tenho nenhum problema na vida. Meu marido é bom. Eu sei, ele é chato muitas vezes, exigente outras tantas. Mas ele me ama, está sempre ao meu lado, é um excelente pai, um homem temente a Deus, lindo. Meus filhos também são ótimos! Não há como querer mais do que tenho. Educados, gentis, estudiosos, disciplinados e que têm demonstrado que querem seguir a Jesus em suas vidas - ah, e lindos também!  
Depressão definitivamente não combina comigo. Eu tenho preguiça de depressão. E não quero receber esse rótulo. 
'Tá, eu sei, estou sendo preconceituosa, como muita gente é. Reconheço mais esse problema.
E reconheço, junto dele, que 'tá difícil...
'Tá difícil não ser chata, não ser antissocial. 'Tá difícil sair. 'Tá difícil conversar com as pessoas. 'Tá difícil segurar o choro.
Não quero ninguém à minha volta. Não quero ninguém perguntando o que tenho. Ou se estou melhor. Queria seguir sozinha.
Continuo cansada. Cansada de tudo. Cansada de nada. Cansada de cobranças. Cansada de adequações sociais.
Por que eu preciso emagrecer?
Por que preciso de uma roupa nova?
Por que preciso estar bem vestida?
Por que preciso parecer elegante?
Por que minha pele tem que estar bonita?
Por que tenho que parecer nova?
Por que meu cabelo tem que estar bem cortado? Bem escovado?
E por que ele só estará bem cortado e bem escovado se for com AQUELE cabeleireiro?
Por que eu tenho que voltar a estudar?
Por que não posso me acomodar?
Por que não posso ficar onde estou?
Por que preciso ter outro emprego? [Por mais que a vida esteja difícil no MPF...]
Eu não quero mais isso.
Quero morar longe. Quero ir embora.
Quero andar de chinelo.
Quero vestir um pijama.
Ou melhor, quero andar descalça.
E vestir short e blusinha.
E sem me importar se meus braços estão gordos.
Eu queria sumir.
'Tô aceitando até ir pra fazenda. Mas desde que aquela cozinha tenha uma super janela. Aquela cozinha me sufoca. Preciso de uma janela e da paisagem.
Quero ver o por do sol.
E a super lua.
Sem ninguém falar que eu tenho que colocar outra roupa.
Ou que tenho que emagrecer pelo menos dois quilos. [Quando, na verdade, eu deveria emagrecer 12....]
Porque, afinal de contas, eu sou bonita. Não posso ficar gorda.
'Tá. Eu sei que preciso fazer exercícios. Pra ter boa saúde, certo?
Não pra emagrecer.
O meu cansaço não acaba. E o que eu tenho feito? NADA!
Mesmo assim, ele continua.
Meu corpo dói. Meu peito aperta.
Minha garganta aperta.
A vontade é de gritar.
De sair por aí sem rumo.
De deitar no banco da praça.
De fazer uma loucura qualquer.
Ó meu Deus, aquieta a minha alma.... Me ajuda, Senhor!
Eu quero tanto não sentir essas coisas mais....
Mas a impressão que eu tenho é que só piora.
A cada dia, minha agonia fica maior. E eu não sei mais o que fazer.
Tudo é sem graça. Tudo é forçado.
Ajuda-me, ó Pai, a dar os passos seguintes. Ajuda-me a caminhar... Ajuda-me a seguir em frente. Ajuda-me a enfrentar...

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