Quando eu tive a segunda crise de choro em duas semanas, somadas a um monte de outros sintomas que eu já vinha apresentando há alguns meses (como, por exemplo, ganho de peso, cansaço excessivo, queda de cabelo, dermatites, dificuldade de concentração etc.), o Hugo não me deixou mais adiar a consulta ao psiquiatra.
Eu sabia que não estava bem, mas tinha plena convicção que não passava de stress. Ter sido diagnosticada com depressão, e não mero stress, fez o mundo cair sobre a minha cabeça. Foi como se tudo que eu estava sufocando, tudo que eu estava fingindo não ter, tudo que eu estava literalmente passando por cima, viesse sobre mim.
A minha vontade é só chorar o dia todo e ficar no meu quarto. Não quero conversar com ninguém, não quero encontrar ninguém, e tudo que eu faço parece sem sentido. Eu mal consigo responder as dúvidas que o André tem em suas tarefas. Começo a fazer uma coisa e não consigo terminar. Não tenho vontade nem de fazer scrap.
Mas me esforço para sair do quarto e continuar fazendo quase tudo. Ficar lá é mais fácil, mas eu sei que não posso. Só não estou indo trabalhar porque estou de licença. Então, no meu esforço diário, eu acordo cedo e preparo café da manhã - e abro a geladeira e os armários milhões de vezes sem saber o que eu tinha pensado em pegar. Levo os meninos às aulas - e quase todo dia erro o caminho, dou voltas desnecessárias. Pra tudo, preciso me concentrar. Não sei o que acabei de falar. Esqueço o que acabaram de me dizer.
E continuo sem saber dizer não.
No fundo, eu acho que vai me fazer bem ter o compromisso de fazer o que aquela pessoa me pediu; que isso vai me ocupar a cabeça, vai me fazer ter ânimo. E são coisas simples, que eu geralmente faço num instante e que sempre foram tão prazeirosas. É um convite aqui, um mini-álbum ali, um caderno de assinaturas acolá. Todos ainda por fazer... por obrigação.
Como eu faço para aplicar o que sei na teoria? Como dizer não? Como saber esperar o tempo de ficar boa logo? Como descansar em Deus?
Sinto o coração palpitar e o corpo doer. E choro. Choro porque meu cansaço não passa. Choro porque o aperto no peito continua. Mas, quando alguém me pergunta, a minha resposta é sempre a mesma: "Estou melhor, obrigada!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário