terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sim, sou obrigada

No meu atual "estágio" e já desde algum tempo, a sensação que tenho é que tudo que faço é por obrigação. Acordo por obrigação, levanto-me por obrigação, arrumo café da manhã para meus filhos por obrigação, vou trabalhar por obrigação (essa é a maior de todas!), arrumo a casa por obrigação (sempre!), saio por obrigação, vou à academia por obrigação, converso com as pessoas por obrigação, vou a festas por obrigação.

E, de repente, a vontade é de não fazer mais nada assim. Quero dizer: "Não, eu não sou obrigada!" E ficar em casa e fazer o que eu quiser. Mas não dá! Sim-ples-men-te não dá. Temos muitas obrigações e, querendo ou não, somos literalmente obrigados a fazê-las. Sem saída pela direita. Sem desculpas. Sem deixar pra depois.

Penso: não vou me levantar, não vou acordar os meninos, deixe que eles faltem à aula. Mas não posso! Não consigo. Meu senso de responsabilidade, minha consciência, meu sei-lá-o-quê não me deixam fazer isso. Vou obrigada, arrastada, sem vontade, mas vou.  

E aí, no meio dessa crise de consciência, você vê um monte de gente postar nas redes sociais imagens dizendo exatamente o contrário: que não, você não é obrigada!

E você, por um mero instante, chega a pensar que isso é possível, que sim, você NÃO é obrigada. Você pode ser livre pra fazer o que quiser! Ou, no máximo, seguindo apenas o artigo 5o. da Constituição Federal, ou seja, só é obrigada se for em virtude de lei. 

Aí você se lembra que um dia estudou Direito e que a lei diz que é seu dever garantir a educação de seus filhos, que abandono de incapaz é crime... Então, nada de não levá-los à escola, nada de não arrumar o lanche deles.

É... Eu posso não ser obrigada a um monte de coisas, mas sou obrigada a outras tantas. E não ser obrigada a algumas coisas não alivia as demais. Pelo menos, não agora...

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